Há algumas semanas atrás o IBGE publicou um relatório que mostrou o crescimento dos evangélicos, que já representam 22,2% da população. É possível que em 2040 estejam em pé de igualdade com os católicos. Além de muitos gritos de "aleluia!", "Deus seja louvado" e "Glória a Deus! O Brasil é de Jesus!", o que os evangélicos podem oferecer à sociedade? Qual sua relevância para o Brasil?
Uma maneira para se verificar, ao menos em linhas gerais, o papel representado pelos evangélicos no Brasil pode ser feito por meio de um rápido levantamento das questões em que costumam se envolver. Afinal de contas, é por meio das grandes questões que o público em geral define seu interlocutor.
Direitos Civis
Quando falamos de direitos civis logo lembramos dos evangélicos, um caso exemplar disso é a luta dos homossexuais em busca de igualdade. Infelizmente, esses seguidores de Cristo estão do lado errado, lutando ferozmente contra a ampliação dos direitos civis. Em geral, o que se escuta deles é que "amam o pecador, mas odeiam o pecado". No entanto, como é possível acreditar nesse amor ao pecador quando se opõem à ampliação de direitos civis básicos? Parece difícil acreditar nesse amor quando se escuta o sofrível discurso de que os homossexuais querem calar a igreja.
Aliás, mesmo que se suponha que a homossexualidade seja um pecado (não entraremos no mérito da questão aqui) isto não implica no cerceamento de direitos civis. Nada explica a aversão evangélica a homossexuais a não ser o ódio. Desse modo, o que sua prática nos mostra é que eles odeiam o pecado e o pecador. Um belo exemplo de que cristãos, justamente por seguirem a Cristo, deveriam lutar pela ampliação dos direitos civis pode ser encontrado em Martin Luther King.
Política
Os evangélicos também estão presentes na política, eles formam a chamada "Bancada Evangélica". Infelizmente, sua atuação é ausente, inexpressiva e processada deixa um pouco a desejar. Boa parte de seus integrantes responde a processos judiciais (quem não se lembra da oração da propina), apesar de todos os cultos realizados no congresso. Outro grande problema enfrentado pela frente parlamentar evangélica (FPE) é a relevância. Pense em alguma proposta importante que tenha sido feita pela FPE? Difícil, né? Além de uma porção de propostas corporativistas, como propor que as igrejas paguem menos pela energia elétrica ou a grotesca cura gay, o que eles têm feito? Infelizmente nada.
Educação
No campo da educação o esforço dos evangélicos se concentra na defesa do criacionismo em oposição à evolução (houve, por exemplo, muita festa por causa da bagunça educacional na Coréia do Sul). Sobre esse tema não é preciso dizer muito, pois muita gente séria já falou sobre isso (veja um exemplo aqui). Criacionismo não é ciência, e por isso não pode ser concorrente com a evolução, uma teoria científica. Desse modo, não há razão para que se ensine criacionismo na escola. A pretensa oposição entre fé e ciência é falsa, e só é sustentada por aqueles que desejam elevar seu conhecimento ao estatuto de absoluto (infelizmente é possível encontrar esse extremismo tanto na religião como na ciência). A ciência só se opõe a certo fundamentalismo cristão, e não à fé cristã.
Teologia
Uma das contribuições mais conhecidas dos evangélicos nesse campo é a "Teologia da Prosperidade". Basicamente, trata-se de um conjunto de princípios que afirmam que o cristão verdadeiro tem o direito de obter a felicidade integral, e de exigi-la, ainda durante a vida presente sobre a terra. Seus efeitos práticos são, no mínimo, nefastos.
A liturgia evangélica também merece destaque devido ao
Por fim, o que se constata (com tristeza) é que os evangélicos são milhões que não têm nada a dizer. Daí não ser surpreendente o crescimento dos "desigrejados". Além, é claro, da imensa quantidade de piadas.





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