quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
O momento atual da teologia
Entrevista de João Batista Libanio. Confira O momento atual da teologia.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Na busca por uma teologia emergente
“A maioria dos
teólogos cristãos de hoje - sejam eles
católicos ou protestantes – reconhecem o fim da cristandade ocidental, e das
antigas formas teológicas de transformação social e cultural. Logo, uma vez
reconhecido isso, tais teólogos estão a lutar por novas interpretações
teológicas, novas formas de comunidade,
ou engajados numa batalha desesperada para preservar as antigas figuras da teologia a qualquer custo.
[...]
A história da
teologia cristã é mais do que emergente. Essa história começou com a diversidade,
a tensão e a busca da unidade na fé. Em todas as igrejas cristãs do Império
Romano, apareceram grandes pensadores para confrontar os difíceis desafios
postulados por sectários que se faziam passar por cristãos e por críticos
pagãos que ridicularizavam os ensinamentos de Cristo. Seus empreendimentos na
formulação de respostas inteligíveis para as perguntas e na exclusão das
respostas erradas geraram a padronização de certas crenças que não podiam ser
encontradas explicitamente em fontes cristãs. Por exemplo, em nenhuma parte das
Escrituras ou dos ensinos dos apóstolos aparece o conceito de creatio ex nihilo
(a criação a partir do nada). Nem podemos encontrar claramente expressa a idéia
da trindade e da unidade de Deus. Por certo, a idéia plenamente desenvolvida da
encarnação como união hipostática de duas naturezas é, na melhor das hipóteses,
sugerida nas fontes cristãs que são consideradas revelação divina. Essas e
muitas outras doutrinas ortodoxas são fruto muito mais da reflexão sobre a
revelação divina do que da revelação. Esse fato de certa forma em nada as priva
de sua validade. Isso significa apenas que elas representam a linguagem
emergente da igreja em determinada época. A linguagem de primeira ordem é a
linguagem da revelação. Desenvolver a linguagem emergente na doutrina e
aplicá-la na igreja tornou-se necessário para evitar que o cristianismo
chegasse à futilidade de ser compatível com toda e qualquer coisa.
[...]
As
interpretações – principalmente bíblicas – são tentativas de determinar nossa
posição. A racionalidade na interpretação não é uma questão de se ter
fundamentos probatórios absolutos, seja da história da composição de um texto,
seja das intenções estratégicas do autor. Tampouco existe algum ponto de vista
tão privilegiado que escape à obrigação de testar criticamente suas hipóteses.
Na verdade, uma teologia emergente é uma questão de submeter as interpretações,
os governos, os pensamentos e a vida, a testes críticos – dúvida prudente,
duplo significado -, e não estabelecer fundamentos seguros. Uma teologia
emergente, é essencialmente o processo de testar criticamente as hipóteses que
se tem quanto à natureza e ao propósito dos atos. A crença em significado
determinado e o conflito de interpretação são igualmente compatíveis com essa
perspectiva”.
sábado, 24 de dezembro de 2011
A salvaguarda do sexo
"Aqui reside o fascínio de um cara como Jesus de Nazaré, que pelo que sabemos nunca transou mas que intuímos claramente que não vivia como nós debaixo da sombra do sexo que não estava fazendo. Nunca viveu sozinho mas nunca esmagou ninguém. Wilhelm Reich chegou a ponderar - e entendo bem de onde ele tirou essa ideia - que Jesus pode ter sido a pessoa "mais fálica" que jamais existiu: um cara que penetrava a realidade e encarava os relacionamentos de um modo muito positivo, natural, sem neuras, sem julgamentos, sem rancores, sem recalques, sem culpas. Jesus parece ter sido o cara resolvido por natureza, não porque deixava possivelmente de exercer o sexo ou porque quem sabe o exercesse em segredo, mas porque tudo que fazia no curso da vida era estabelecer conexões muito reais com gente, aquilo que vivemos sonhando que o sexo faça por nós, ou de que nos mantenha a salvo". Leia mais em A salvaguarda do sexo.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
10 sintomas de um cristão iludido
O sétimo item é particularmente interessante: "Prega para pessoas que pensam de maneira diferente em vez de dialogar racionalmente. Fico estupefato, confuso, frustrado e entediado com os tipos de respostas que escuto de crentes religiosos quando tento lhes explicar porque não compartilho de sua crença. Elas começam a pregar, a falar de maneira dogmática, a citar a Bíblia. Elas ainda anunciam entusiasticamente que vamos todos (os descrentes) para o inferno. Muitos deles meramente balbuciam as frases de seu credo e afirmam o que acreditam, em vez de se envolver numa verdadeira discussão racional sobre os fundamentos da crença, em primeiro lugar. Eles vem pregando para nós a partir de uma antiga compilação de textos supersticiosos em vez de nos mostrar porque deveríamos acreditar neles em primeiro lugar". Leia 10 sintomas de um cristão iludido.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
O mistério
"The primitive quality of feeling, the presence of life and its luminosity, is the mystery and I am damn thankful for it". Leia The mystery I'm thankful for.
Quando um ateu morre
"When an atheist dies it is wrong to wonder what is happening to them now that they are dead. Instead we might consider whether they lived well while alive". Leia mais em When an atheist dies: religious reflections on Christopher Hitchens' death.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
A Teologia dialética de Karl Barth
"O teólogo encontra sua satisfação, torna-se e é uma pessoa satisfeita, que espalha contentamento tanto na comunidade quanto no mundo, quando seu conhecimento, na qualidade de intellectus fidei, segue a estrutura que lhe é dada com o objeto de sua ciência". Leia mais em Casa da Teologia: A Teologia dialética de Karl Barth.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Cientistas do "Cern" anunciam ter encontrado pistas para a localização do bóson de Higgs
Sem dúvida, a melhor matéria de divulgação sobre o assunto. E não se preocupem, a "partícula de Deus" nada tem a ver com Deus. Cientistas do Cern anunciam ter encontrado pistas para a localização do bóson de Higgs | Agência FAPESP :: Especiais
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Do Código Florestal para o Código da Biodiversidade
O Brasil está prestes a promover uma reforma do Código Florestal. Não se pode simplesmente ausentar-se do debate, pois este é um tema que inevitavelmente envolve a todos. Ouçamos então, alguém que entende do assunto. Com a palavra o professor Aziz Nacib Ab Sáber: Do Código Florestal para o Código da Biodiversidade.
domingo, 4 de dezembro de 2011
Vós sereis chamados anti-intelectuais?
Não é preciso muito para se notar uma forte tendência obscurantista no cristianismo, ou melhor, uma forte tendência anti-intelectual. Sem dúvida, esta se manifesta em graus diferentes em suas diversas vertentes. No catolicismo apostólico romano, por exemplo, parece haver um espírito mais aberto ao pensamento, aberto à discussão séria. Talvez decorrente do glorioso trabalho dos teólogos do passado e de seu esforço em preservá-los na memória (Tomás de Aquino, por exemplo). O que não impede, no entanto, que o discurso oficial dos católicos seja bastante questionável. Ainda hoje se insiste na não utilização de preservativos. Não há, entretanto, prima facie aversão à erudição. Não é tão difícil encontrar católicos dispostos a entrarem no nebuloso e ao mesmo tempo maravilhoso caminho da filosofia, da ciência e das artes. Por vezes, o que os impele é o próprio amor a Deus.
A situação muda bastante quando nos voltamos para os protestantes. Sobretudo quando nos voltamos para os (neo)pentecostais. Aí as coisas se complicam muito, o obscurantismo praticamente se torna um item do Credo. Tomemos um exemplo: na edição da revista Ultimato de novembro/dezembro de 2008, Ricardo Quadros Gouvêa lista quarenta livros que “fizeram a cabeça dos evangélicos nos últimos quarenta anos”. Um dos comentários a esta matéria é significativo, um dos leitores diz: “A PALAVRA DE DEUS nas Escrituras, não é a ÚNICA SEMENTE que deve ser plntada [sic] na terra fértil dos corações para gerar os FRUTOS DO ESPÍRITO? Penso entender que os Escritores evangélicos mencionados na LISTA, [sic] editaram suas obras, sovre [sic] aspecto específico contido na BÍBLIA, exercitando sua hermenéutica [sic] e opinião pessoal, conscientes de que suas “obras” são MEIOS destnadas [sic] ao único FIM que é A OBRA E A DOUTRINA CRISTÃ. Não é isto?”.
O que assusta o leitor é a erudição, daí o início de seu comentário: “Conhecer a Cristo e tornar-me cidadão do Reino de Deus, [sic] EXIGE tanta erudição importada?”. Destaque-se que neste artigo estão presentes apenas livros campeões de vendagem, o que exclui praticamente todas as obras teológicas e comentários bíblicos. O que o leitor diria se se deparasse com autores como Lutero, Calvino, Karl Barth, Agostinho ou Tomás de Aquino?
O que o leitor não compreende, e não só ele, é que a doutrina cristã à qual ele se refere é resultado de dois milênios de elaboração teórica, a qual não pode ser feita “sem a estrutura filosófica que [a] sustenta”[1]. Daí decorre que mesmo a prática cristã depende do modo como se entende o cristianismo (leia também E o Verbo se fez carne). Reconheço que no Brasil há uma enorme defasagem educacional, como um número vergonhoso de analfabetos. Isso sem falar daqueles que sabem juntar letras, mas não ideias. Situação que se reflete nos cristãos brasileiros. Este problema, no entanto, se resolve com a ampliação e melhoramento do sistema educacional. O que realmente preocupa é a visão obscurantista que teme o livre pensar, ou seja, que identifica ser cristão com ser anti-intelectual. O que preocupa são pessoas como Ken Ham (leia aqui).
Não pense você que isto é inofensivo. Muitas pessoas, sobretudo os mais jovens, afastam-se da Igreja por causa desta identificação nefasta. Não há razão alguma para temer a filosofia ou a ciência, a não ser que se tenha algo a ganhar sustentado um cristianismo capenga e obtuso.
Quando nos voltamos para Agostinho, por exemplo, vemos uma posição bem diferente do que encontramos atualmente. Ele não só é favorável à erudição (eruditio), como ele faz um elogio às artes liberais (gramática, dialética, retórica, aritmética, música, geometria e astronomia), sobretudo à dialética, a disciplina das disciplinas (disciplina disciplinarum).
Se você se preocupa com a ordem – disse-lhe eu – deve retornar àqueles poemas. Pois a erudição moderada e parcimoniosa nas disciplinas liberais, Licêncio, nos torna mais resolutos, mais perseverantes e amantes mais agradáveis para abraçar a verdade, para desejá-la mais ardentemente, segui-la com mais constância e, finalmente, apegar-nos com mais doçura à vida feliz. Quando esta é mencionada, todos se levantam e como que estendem as mãos, se porventura você tem algo que lhe possa dar, a eles indigentes e acometidos de várias doenças. Mas quando a sabedoria lhes manda que consultem um médico e com paciência se deixem curar, eles voltam aos seus trapos. Contaminados por esse ardor, eles raspam a lepra dos prazeres perniciosos com mais gosto que, suportando e submetendo-se às prescrições do médico, um tanto duras e incômodas para as doenças, sejam devolvidos à saúde dos sãos e à luz. Por conseguinte, satisfeitos com o nome e sentimento do sumo Deus, contentes por assim dizer com uma esmola, vivem miseráveis, mas vivem. [...] Por enquanto dedique-se às suas musas[2].
Para Agostinho é difícil entender como pode ser feliz aquele que se recusa instruir-se.
Mas aqueles que, satisfeitos apenas com a autoridade, se aplicam com constância a uma vida de bons costumes e desejos justos, porque ou desprezam a aprendizagem ou não têm força de vontade suficiente para instruir-se nas boas disciplinas liberais, não sei como se poderia chamá-los de felizes nesta vida, mas creio firmemente que, logo que saírem deste corpo, terão maior facilidade ou maior dificuldade em libertar-se conforme tenham vivido mais ou menos retamente[3].
Quão horrorizado ficaria Anselmo de Cantuária (muitos séculos depois de Agostinho) ao ver o total desprezo pela fides quaerens intellectum (fé em busca de compreensão)? Todo o seu pensar filosófico nasceu de sua fé, seu desejo por Deus impeliu-o a buscá-lo, levou-o a pensar. Anselmo, para quem não conhece, é responsável por um dos mais belos textos da filosofia. Leiam o Proslógio[4].
Do mesmo modo que a retidão da ordem exige que creiamos os profundos artigos da fé cristã antes de presumir discuti-las pela razão, do mesmo modo parece-me negligência se não nos exercitamos, após nossa confirmação na fé, em entender o que cremos[5].
A escritura sagrada não perde importância, pois é ela quem dá testemunho de Deus. Todo o pensar está vinculado a ela. O fato de ser interpretação da escritura não faz com que deixe de ser interpretação.
A Reforma entende a escritura sagrada como único testemunho de revelação real e competente de Deus, razão por que sua doutrina quer dar a entender que Deus pode ser encontrado por nós seres humanos ali onde lhe aprouve procurar-nos. Portanto não ali onde julgamos poder buscá-lo por iniciativa nossa: Não no âmbito de nossas próprias possibilidades, sejam elas razão ou experiência, natureza ou história, universo interior ou exterior. Não ali onde nós, com a nossa sabedoria, julgamos dever falar sobre ele, mas ali onde ele falou a nós em sua sabedoria. E ele de fato falou a nós, de uma vez por todas. A respeito desse tempo perfeito – Deus dixit (Deus disse) – é a escritura sagrada quem dá testemunho, e exclusivamente ela. Por isso a proclamação da igreja cristã em sentido nenhum pode nem deve ser uma filosofia, isto é, o desdobramento de uma ideologia ou filosofia de vida qualquer, por intuição própria. Por isso a proclamação está vinculada, por ser interpretação da escritura[6].
Outro ponto positivo que poderíamos convocar a favor dos estudos é a melhoria do discurso cristão. Basta uma rápida olhada na internet, em qualquer fórum em que houver cristãos discutindo, para que se veja uma conversa sem pé nem cabeça. Uma verborragia interminável. Não é à toa que neo-ateus como Richard Dawkins provocam tanta celeuma entre cristãos. Não é preciso muito para fazê-lo.
Por fim, não pretendemos que todo cristão seja filósofo ou cientista, pois isto realmente não é requerido de nenhum cristão. Por outro lado, deve-se igualmente rejeitar a posição contrária que pretende que nenhum cristão seja filósofo ou cientista. Não é preciso dizer àquele jovem da igreja que decidiu prestar filosofia no vestibular: “Cuidado! Você vai perder sua fé”. A única fé que pode ser ameaçada pelo pensamento responsável e sincero é a fé superficial, o que não deixa de ser salutar à própria fé.
O Editor
[1] Ricardo Quadros Gouvêa em “Calvinistas também pensam: uma introdução à filosofia reformada” in Fides Reformata (São Paulo), vol. I, 1996, pp. 48-59.
[2] AGOSTINHO. A ordem, I, viii, 24.
[3] AGOSTINHO. A ordem. II, ix, 26.
[4] Este texto foi traduzido na coleção Os Pensadores. Apesar de algumas imprecisões na tradução, elas não chegam a atrapalhar o primeiro contato com a obra.
[5] ANSELMO. Cur deus homo, I, 48, 16-18.
[6] Karl Barth in “Reforma é decisão”, pp.172-173. Artigo presente em BARTH, K. Dádiva e louvor. Tradução de Walter O. Schlupp, Luís Marcos Sander e Walter Altmann. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2006.
Perdão e poder
"Nada é mais subversivo do que o perdão emitido sem critério, e era um Deus assim – uma vida assim – que Jesus apresentava ao mundo. A este mundo". Leia aqui Perdão e poder.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Eneida: um clássico
Por que ler os clássicos? A entrevista do professor João Angelo Oliva Neto concedida ao programa Entrelinhas em 27/11/2011 pode ser o começo da resposta. Boas leituras!
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