Henry Nouwen foi um sacerdote católico, de origem
holandesa. Ensinou nas Universidades de Harvard e de Yale, escreveu 40 livros,
publicados em 20 idiomas, com mais de 20 milhões de cópias vendidas. Mas seu
maior legado foi deixado pelo seu trabalho na comunidade Daybreak, nos
arredores de Toronto, no Canadá, onde Nouwen desenvolveu suas atividades
pastorais por oito anos.
De acordo com seus relatos, a coisa mais importante
que Nouwen fazia na Daybreak era cuidar de Adam.
“Adam é um homem de 25 anos de idade”, disse Nouwen,
“que não consegue falar, não consegue vestir-se, nem tirar a roupa, não pode
andar sozinho, não pode comer sem ajuda. Ele não chora nem ri. Apenas às vezes
faz contato com os olhos. As costas são deformadas. Os movimentos dos braços e das
pernas são distorcidos. Ele sofre de severa epilepsia e, apesar de pesada
medicação, raros dias se passam sem ataques do grande mal. Às vezes, quando
fica subitamente rígido, emite um gemido imenso. Em algumas ocasiões já vi uma
grande lágrima rolar por sua face. Levo cerca de hora e meia para acordar Adam,
dar-lhe medicação, carregá-lo até ao seu banho, lavá-lo, barbeá-lo, escovar
seus dentes, levá-lo à cozinha, dar-lhe o café da manhã, colocá-lo na sua
cadeira de rodas e levá-lo até ao lugar onde passa a maior parte do dia com
exercícios terapêuticos”.
Philip Yancey, jornalista e escritor, conta que
jamais esqueceu o dia em que acompanhou a rotina de Nouwen na Daybreak. Seu
relato começa com uma confissão corajosa. “Devo admitir que tive uma dúvida
passageira quanto a ser aquele o melhor emprego da sua vida”, diz Yancey. “Eu
ouvira Henri Nouwen falar e lera muitos dos seus livros. Ele tinha muita coisa
a oferecer. Outra pessoa não poderia assumir a tarefa servil de cuidar de
Adam?”.
“Quando cautelosamente mencionei o assunto com o
próprio Nouwen”, diz Yancey, “ele me informou que eu interpretara de todo
erradamente o que estava acontecendo”. Veja como Nouwen encarava seu
relacionamento com Adam.
“Não estou desistindo de nada. Sou eu, não o Adam,
quem recebe os principais benefícios de nossa amizade. As horas passadas com
Adam deram-me uma paz interior tão satisfatória que fez com que a maioria de
suas outras tarefas intelectuais parecessem enfadonhas e superficiais por
contraste. No começo, quando me assentava com esse homem-criança desamparado,
percebia como a busca do sucesso na academia e no ministério cristão era
obsessiva e marcada pela rivalidade e pela competição. Adam me ensinou que o
que nos torna humanos não está na nossa mente, mas no nosso coração, não é a
nossa capacidade de pensar, mas a nossa capacidade de amar“.
Texto de Ed René Kivitz.

Nenhum comentário:
Postar um comentário