"Bach (riacho, em alemão) deveria se chamar
Ozean (oceano) e não Bach!". A frase é de ninguém menos que Ludwig Van
Beethoven e, se um músico da grandeza de Beethoven assim se pronuncia sobre
ele, bem se pode imaginar a dimensão que se pode atribuir ao compositor barroco
Johann Sebastian Bach.
Na verdade, desde Veit Bach, que no século XVI tocava
cítara, até 1685, são contados 27 músicos na família Bach. O mais célebre,
porém, merecidamente, foi Johann Sebastian Bach, que nasceu em Eisenach, uma
pequena cidade da Turíngia, no centro da Alemanha. Seu pai, Johann Ambrosius
Bach, era um músico da cidade e ensinou Bach a tocar violino e viola e a
escrever as notas musicais, além de criá-lo na fé protestante.
Seus pais morreram antes que completasse 10 anos e a
continuação de sua formação musical ficou a cargo de seu irmão, Christoph, que
trabalhava como organista em Ohrdruf, cidade próxima, onde passariam a morar.
Aos quinze anos, Johann Sebastian ingressou na escola de São Miguel de
Lünenburg, onde cantaria no coro da igreja e teria ensino formal de música.
Em suas viagens de férias aos centros culturais mais
próximos, familiarizou-se com a obra de Jean-Baptiste Lully e François
Couperin. Em Hamburgo, conheceu a grande tradição alemã de Jan Adams Reinken e
Vincent Lübeck. Bach fez progressos admiráveis, e, aos dezoito anos, foi
contratado como organista da nova igreja de Arnstadt, recém-construída, onde
permaneceu de 1703 a 1707. Ausentando-se por quatro meses, conheceu em Lübeck o
célebre Dietrich Buxtehude, de quem recebeu lições que modificariam sua maneira
de interpretar o órgão.
De volta a Arnstadt, Bach não foi bem aceito no
templo, o que fez com que ele aceitasse o cargo de organista na igreja de São
Blásio de Mühlhausen. Foi nesses dois locais que começou a compor sua primeiras
obras religiosas.
Casou-se em outubro de 1707 com sua prima Maria
Bárbara, que morreria 12 anos depois. Deste casamento ficaram sete filhos, dos
quais três se tornaram músicos; Wilhem Friedemann, Carl Philipp Emanuel e
Johann Gottfried Bernhard. Entre 1707 e 1717, trabalhou como organista,
violinista e compositor na corte de Weimar, período cheio de conflitos com o
duque, já que ambos tinham personalidades difíceis.
Então, Bach foi para Köthen, onde trabalhou para o
príncipe calvinista Leopold d'Anhalt-Köthen. Foram cinco anos frutíferos,
embora Bach não pudesse escrever música religiosa, ficando restrito à música
profana. Datam dessa época os "Concertos de Brandenburgo", o
"Cravo Bem-Temperado", a maior parte de sua música de câmara e as
suítes orquestrais.
Em 1721, Bach casa-se com Anna Magdalena Wülken,
cantora da corte. Com ela teve treze filhos, sendo que dois deles - Johann
Cristoph Friedrich e Johann Christian - também se tornaram músicos.
Em maio de 1723, Bach obteve o cargo de
"kantor" (professor e diretor musical) na Igreja de São Tomás, em
Leipzig. Embora descontente com a rotina do trabalho, foi ali que compôs a
maior parte de suas cantatas, a "Missa em Si Menor" e as duas paixões
mais conhecidas - a de São João e a de São Matheus.
De suas composições, duas das mais popularmente
conhecidas são a "Tocata e Fuga em Ré Menor" e "Jesus, Alegria
dos Homens". "Oferenda musical", "Oratório de Natal",
e a inacabada "A Arte da Fuga" são outras grandiosas criações de
Bach, que durante muito tempo teve sua obra considerada como mística e
hermética.
Johann Sebastian Bach começou a se retirar da vida
ativa a partir de 1747. Dois anos depois, operado de catarata por um charlatão
inglês, ficou praticamente cego.
Apesar da genialidade, Bach não foi compreendido nem
devidamente no seu tempo. Após a sua morte, suas músicas praticamente caíram no
esquecimento. Sua obra ficou nas sombras até 1829, quando Felix Mendelssohn
regeu a Paixão Segundo São Mateus em Berlim, o que garantiu o resgate da obra
do compositor e a sua consagração definitiva.
Jesus, alegria dos homens - exemplo de música "gospel" de qualidade
Texto de Educação UOL.
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