Numa conhecidíssima passagem de Resistência e Submissão, Bonhoeffer descreve de modo extremamente
incisivo a superação da religião no momento histórico atual:
“O tempo em que se podia dizer tudo com palavras
teológicas ou pias passou, assim como passou o tempo da interioridade e da
consciência, isto é, o tempo da religião em geral. Vamos ao encontro de uma
época completamente não religiosa; os homens, assim como são, não podem mais
ser religiosos. Mesmo aqueles que se definem sinceramente ‘religiosos’ não o
praticam absolutamente; por ‘religioso’ eles entendem provavelmente algo de
completamente diferente. Toda a nossa predicação e teologia cristã do século
vinte é construída no a priori religioso do homem. O ‘cristianismo’ foi sempre
uma forma (talvez a verdadeira forma) da ‘religião’. Mas quando um dia será
evidente que esse ‘a priori’ não existe de fato, mas que foi uma forma
expressiva do homem, historicamente determinada e transitória, quando, isto é,
os homens se tornarão realmente não religiosos de maneira radical – e eu acho
que já, mais ou menos, é o nosso caso – o que significará então isso para o
cristianismo? É subtraído o terreno sobre o qual se apoiava até agora todo o
nosso ‘cristianismo’”.
Portanto o teólogo e o pastor de almas que querem
continuar a ação do Cristo e querem levar a sua Nova de salvação aos homens do
nosso tempo devem procurar propor tal Nova e a própria figura do Cristo nas
categorias não religiosas e atéias na cultura pós-moderna.
Pensado por Nelson Costa Jr.
Nenhum comentário:
Postar um comentário