“A maioria dos
teólogos cristãos de hoje - sejam eles
católicos ou protestantes – reconhecem o fim da cristandade ocidental, e das
antigas formas teológicas de transformação social e cultural. Logo, uma vez
reconhecido isso, tais teólogos estão a lutar por novas interpretações
teológicas, novas formas de comunidade,
ou engajados numa batalha desesperada para preservar as antigas figuras da teologia a qualquer custo.
[...]
A história da
teologia cristã é mais do que emergente. Essa história começou com a diversidade,
a tensão e a busca da unidade na fé. Em todas as igrejas cristãs do Império
Romano, apareceram grandes pensadores para confrontar os difíceis desafios
postulados por sectários que se faziam passar por cristãos e por críticos
pagãos que ridicularizavam os ensinamentos de Cristo. Seus empreendimentos na
formulação de respostas inteligíveis para as perguntas e na exclusão das
respostas erradas geraram a padronização de certas crenças que não podiam ser
encontradas explicitamente em fontes cristãs. Por exemplo, em nenhuma parte das
Escrituras ou dos ensinos dos apóstolos aparece o conceito de creatio ex nihilo
(a criação a partir do nada). Nem podemos encontrar claramente expressa a idéia
da trindade e da unidade de Deus. Por certo, a idéia plenamente desenvolvida da
encarnação como união hipostática de duas naturezas é, na melhor das hipóteses,
sugerida nas fontes cristãs que são consideradas revelação divina. Essas e
muitas outras doutrinas ortodoxas são fruto muito mais da reflexão sobre a
revelação divina do que da revelação. Esse fato de certa forma em nada as priva
de sua validade. Isso significa apenas que elas representam a linguagem
emergente da igreja em determinada época. A linguagem de primeira ordem é a
linguagem da revelação. Desenvolver a linguagem emergente na doutrina e
aplicá-la na igreja tornou-se necessário para evitar que o cristianismo
chegasse à futilidade de ser compatível com toda e qualquer coisa.
[...]
As
interpretações – principalmente bíblicas – são tentativas de determinar nossa
posição. A racionalidade na interpretação não é uma questão de se ter
fundamentos probatórios absolutos, seja da história da composição de um texto,
seja das intenções estratégicas do autor. Tampouco existe algum ponto de vista
tão privilegiado que escape à obrigação de testar criticamente suas hipóteses.
Na verdade, uma teologia emergente é uma questão de submeter as interpretações,
os governos, os pensamentos e a vida, a testes críticos – dúvida prudente,
duplo significado -, e não estabelecer fundamentos seguros. Uma teologia
emergente, é essencialmente o processo de testar criticamente as hipóteses que
se tem quanto à natureza e ao propósito dos atos. A crença em significado
determinado e o conflito de interpretação são igualmente compatíveis com essa
perspectiva”.
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